Sempre que escrevo algum texto aqui, não tenho certeza de que alguém lerá, se alguma pessoa investirá alguns minutos da sua vida para ler e entender o que penso ou sinto. Mas, escrevo assim mesmo, porque gosto. Por vezes é um desabafo, outras extravaso.
Para nós, pais, ver o filho evoluir é algo único, mágico. Os pequenos nascem, crescem, sorriem, riem, choram, fazem mimos, tudo isso faz parte. O tempo passa de um modo que não percebemos e, se não tomarmos cuidado, nem mesmo iremos vê-los crescer.
Eles engatinham, andam, correm tudo como em um passe de mágica, logo em seguida proferem suas primeiras palavras, expressam suas vontades próprias (que bom que fossem algumas das nossas) e, porque não, seus sentimentos.
Claro que não podemos fazer com que eles sejam reflexos de nós mesmos, temos que lhes dar caráter, atenção, carinho e ensinar os tortuosos caminhos da vida para que sigam em frente.
Sempre.
E sempre.
Mas, algo fenomenal me ocorreu. Para quem me conhece sabe que tenho uma paixão umbilical com esportes de pranchas. Surf e skate foram paixões à primeira vista. Até hoje me lembro do meu pedido para que meus pais me comprassem uma prancha de surf. A loja era da 775, ficava na Rua Altinópolis como um anexo à um lava rápido. Tinha aproximadamente 10 anos.
Nunca me esquecerei.
Fui até o local, mas meus pais pensavam que eu era muito jovem ainda. me prometeram uma prancha nova um pouco mais adiante na trilha da vida.
Meu primeiro skate também me lembro como hoje: shape preto, uma caveira desenhada, não tinha rolamento, mas bilhas, rodinhas amarelas e laranjas, com protetor de shape, biqueira, protetor de tail, shape tubarão. "Brinquei" muito com aquele carrinho.
Que doideira. Também ganhei um carrinho de rolimã, SENSACIONAL,
Mas, o fato é que, passadas mais de 3 décadas, começo a perceber que meus gostos permanecem os mesmos, e que eles não necessariamente serão direcionados ou impostos ao filhão.
Mas, para minha surpresa e alegria, presenciei HOJE algo fantástico. Sabia que ele, meu filho, anda meio que admirando o skate. Ele pode ver o esporte nos desenhos animados que assiste e, também, mesmo que eu pense que ele não está prestando atenção, nos documentários e programas dos canais OFF e WOO HOO. Tinha ciência disso tudo.
Mas, hoje meu pequeno pediu um skate. Com apenas dois anos de idade, viu um na vitrine, skate off road, motorizado, e disse:
"- Pá, skate. Qué"
PQP.
Fantástico,
Ele vai se apaixonar pelo esporte.
Espero poder ver ele dar as primeiras manobras. Se ele vai andar de half, street, downhill, ser overall, não sei, não importa.
Ele gostar do carrinho, já me faz feliz.
Poderei continuar vendo os canais retrocitados, educando-o. (risos)
Na minha época era difícil ter acesso a esse tipo de material. Desde o álbum de figurinha "Overal Skate Stamps" até os videos da 411, os quais reservava na loja o Marquinhos (Central Surf) para pegar depois, pois poucos eram importados, tudo era difícil, precisava ser batalhado. Hoje a internet e a TV à cabo irá abrir mais o mundo para o filhão.
Espero que ele veja que a felicidade decorre de pouco: de brodagem, um pedaço de madeira e quatro rodinhas.
Não tenho palavras.
Aurelio Mendes - amon78
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